sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vamos andando que se faz tarde!


Vim aqui dizer que vou Fazer. Comprometo-me a Ir.

Vou mexer dentro de mim com a colher de pau, como se de uma panela de sopa me tratasse. Vou desfazer os legumes que minam a minha base, fazer um belo puré e colocar legumes novos.

Venho aqui para dizer que vou intencionalmente Criar algo. Remexer na Vida, e fazer dela minha. Vou avançar, deixar de estar estagnada e à espera que Ela faça alguma coisa por mim.

Vou-me fazer a Ela, vou-me fazer à Vida!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

E crescer é o quê?


O que é crescer afinal? Sentimos na pele, mas como explicar? Hoje tive uma bela noção de como cresci nos últimos anos enquanto estava na praia. Chapéu-de-sol e na cabeça, protector de cara e de corpo, cadeirinha e muito lanche… Há pouco tempo atrás era só pegar na toalha e com o biquíni vestido, lá ia eu.

Concluí que ao crescer, o conforto ultrapassa o orgulho. O orgulho que tínhamos em fugir às regras, em não tem preocupações, em não ter cuidados excessivos connosco próprios. Passamos a dar mais importância em estar bem, em não terminar o dia com dor de cabeça porque não pusemos o chapéu, ou escaldados porque estivemos ao sol sem protector.

Não me considero careta, ainda tenho dias de praia com toalha e pouco mais. Mas apesar do cenário ser o mesmo, mudaram as percepções das ferramentas que nos trazem bem estar, que nos cuidam e que nos tratam. Antes lia deitada e doíam-me os cotovelos de estar assim tanto tempo, agora leio na cadeira de praia e o efeito é fabuloso, e até o bronzeado é mais uniforme.

Também não acho que seja sinal de envelhecimento precoce, afinal levo o ipod com a música mais recente…

sábado, 3 de julho de 2010

Fotografias



Gosto de fotografias. Transportam-nos para outros locais, fazem-nos Sentir. Despertam em nós sensações que achavámos que já não existiam. Por vezes podemos não gostar de fotografias, pelo sentido oposto. Fazem-nos sentir tristes. Vemos que fomos felizes e queremos um pouco disso no nosso presente.


As fotografias são o que de mais parecido temos com a máquina do tempo. Podemos voltar ao passado e reviver momentos importantes. Mas temos de ter cuidado porque podemos ficar presos nesse passado, e temos de estar atentos no agora. É bom relembrar e recordar através das fotos, mas temos de ter cuidado para não nos limitarmos ao "fui feliz". A reformulação passa pelo "então isto quer dizer que sou feliz, hoje".

domingo, 27 de junho de 2010

Solidão


Solidão, o estado do estar só;
Só, desacompanhado, afastado;

Então e quando nos sentimos sozinhos na multidão? Espacialmente estamos próximos, emocionalmente estamos sós, desacompanhados e afastados de todos. Às vezes porque o queremos, porque necessitamos do afastamento e do isolamento; noutras não temos escolha... Isolam-nos.

O problema é quando estamos próximos mas não queremos estar presentes; queremos atenção e escondemo-nos; estamos a postos, à escuta e tapamo-nos; Não sabemos o que queremos, o que é melhor para nós e estamos confusos. Devemos então estar sós para nos compreendermos? Devemos nos isolar para estar connosco, e a partir daí sararmo-nos para estar no colectivo? Ou poderá o colectivo nos curar? O que é melhor? Talvez deixar estas perguntas para trás e avançar sem as respostas, porque estar aqui sozinha a fazê-las faz-me estar parada... E só.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Gestão de expectativas


A expectativa que criamos em relação a tudo o que nos rodeia, toma por vezes dimensões inesperadas. É como uma fogueira que alimentamos, e quanto mais madeira colocamos a arder, maior o seu fogo e mais ar nos consome.

É assim que somos consumidos na nossa própria chama. A energia que podia ser gasta noutras coisas, é dirigida a esta fogueira, e de repente, estamos sem conseguir respirar. Porque o fogo tudo consumiu, porque chegámos tão alto na nossa fasquia, que agora a queda é imensa.

A expectativa é isso. É esperar demasiado, pensar demasiado e depois gerir a demasiada frustração que é o resultado que nos chega, quando as premissas não se cumprem. É uma suposta esperança que se baseia em probabilidades, e nós sabemos que essas têm bases muito frágeis... É uma espera que deixamos ao vento, porque na maior parte das vezes, temos expectativas elevadas em algo que não podemos manipular ou gerir.

Viver entre as expectativas que criamos também nos influencia negativamente a partir do momento em que não damos conta das pequenas vitórias que vamos alcançando na vida. E quanto maiores as expectativas, mais tapadas essas pequenas vitórias ficam. Qualquer acontecimento é minimizado, tendo em conta que, aquilo que almejamos é completamente diferente, e é aquilo que é expectável.

O combate às expectativas é urgente, até mesmo no colectivo. Por vezes espelhamos expectativas muito elevadas na nossa sociedade, no nosso país, e acabamos por não ver o que de bom existe, e esperando que, ao ganhar um campeonato de futebol a vida colectiva melhore.

É como se usássemos uma lupa, vemos o pequeno exageradamente grande e os nossos olhos, que não estão habituados a estas visões, em vez de se alarmarem, ficam maravilhados e alimentam esta forma de levar a vida, levando-a em expectativa.

Será justo viver no que poderá ser e não aproveitar aquilo que já é? Poderá o amanhã invisível ser melhor do que o simples agora? Que mistérios da mente humana promovem este tipo de vivência?

domingo, 20 de junho de 2010

Xiiiuuu, é segredo!



Um dia não são dias, dizia ela. Aliás, até podemos fingir que nada aconteceu. Ninguém mais sabe, ninguém viu! Mas eu sei, dizia-lhe. Ela não parecia importar-se com isso. Pelos vistos eu não era ninguém, e ninguém sabia.


Será que os segredos são eternos? Serão os segredos baús velhos? Fechados com grandes cadeados e grandes chaves? Às vezes penso no que aconteceria ao Mundo se todos os segredos fossem revelados. Será que culminava em guerra, ou será que teríamos paz?


Segredo é mistério, é ocultar e esconder, é mergulhar tudo na água mais profunda, é tapar com o manto da invisibilidade para não se ver.


Segredar é tão parecido com segregar... Será o segredo uma forma oculta de nos afastarmos dos outros?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Infâncias

Hoje não há fotografia...


Num rápido regresso ao passado a infância é doce, longuínqua e disforme... Não a consigo ver bem... Parece toldada por um véu, o véu do tempo que não deixa ver com detalhe, não deixa ver com transparência. Ficam algumas ideias, um rasto do que foi e do que podia ter sido, uma amostra de sensações...

Achamos que sobrevivemos, somos fortes e crescidos, somos invencíveis e coroados por sucessos aparentes. Cá dentro a criança chora... Não há resolução... Não há paz, às vezes. Afinal ainda existe uma criança em nós que nos puxa a saia e diz "eu ainda estou aqui..." ainda nos influencia, ainda nos limita e ainda nos faz regressar aos medos, às inseguranças... Mas só às vezes.