domingo, 20 de junho de 2010

Xiiiuuu, é segredo!



Um dia não são dias, dizia ela. Aliás, até podemos fingir que nada aconteceu. Ninguém mais sabe, ninguém viu! Mas eu sei, dizia-lhe. Ela não parecia importar-se com isso. Pelos vistos eu não era ninguém, e ninguém sabia.


Será que os segredos são eternos? Serão os segredos baús velhos? Fechados com grandes cadeados e grandes chaves? Às vezes penso no que aconteceria ao Mundo se todos os segredos fossem revelados. Será que culminava em guerra, ou será que teríamos paz?


Segredo é mistério, é ocultar e esconder, é mergulhar tudo na água mais profunda, é tapar com o manto da invisibilidade para não se ver.


Segredar é tão parecido com segregar... Será o segredo uma forma oculta de nos afastarmos dos outros?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Infâncias

Hoje não há fotografia...


Num rápido regresso ao passado a infância é doce, longuínqua e disforme... Não a consigo ver bem... Parece toldada por um véu, o véu do tempo que não deixa ver com detalhe, não deixa ver com transparência. Ficam algumas ideias, um rasto do que foi e do que podia ter sido, uma amostra de sensações...

Achamos que sobrevivemos, somos fortes e crescidos, somos invencíveis e coroados por sucessos aparentes. Cá dentro a criança chora... Não há resolução... Não há paz, às vezes. Afinal ainda existe uma criança em nós que nos puxa a saia e diz "eu ainda estou aqui..." ainda nos influencia, ainda nos limita e ainda nos faz regressar aos medos, às inseguranças... Mas só às vezes.

domingo, 23 de maio de 2010

Time


Não há nada de mais certo que o envelhecer e o morrer. Ainda assim, o ser humano passa a vida a não assumir o inevitável. Cada dia que passa representa um passo na direcção do que sabemos que vem...
Um dia não são dias, mas os dias correm velozes e já não os apanhamos... As tardes já não são eternas, e os momentos já são tardios... O tempo não passa nos momentos mais delicados e difíceis, e desaparece nos mais felizes... O que são minutos são horas, e as horas são dias... O tempo passa... E nós aqui estamos, a olhar para todo o lado e a pensar - mas para onde é que o tempo foi? Antes era eterno... Agora foge entre os dedos como a areia...
Resta-nos... Nós. Duas Espadas... Nós Todos, que não vemos... Resta-nos o esquecimento dos dias a passar, sobram os ideiais para quando temos tempo... Restam-nos os nossos planos para um tempo futuro...
O tempo... O tempo não anda... Nós é que passamos por ele...

sábado, 24 de abril de 2010

Ilusir


Abri o dicionário e encontrei a palavra ilusir... Eu iluso, tu iluses... Ele ilude! Ilusir vem da ilusão e parece fazer mais sentido do que iludir... Não parece uma palavra tão forte, e no entanto parece mais ligada à ilusão...
A ilusão é o engano dos sentidos, um truque à nossa inteligência e uma rasteira à nossa mente...
Mas... Se a ilusão for o oposto à realidade, no sentido em que, iludidos estamos a tomar a aparência pela realidade.... Não será melhor a ilusão? Por vezes a realidade que nos envolve é inferior ao conforto que a ilusão nos transmite...
Ilude-me, não me dês a tua realidade... Deixa-me ser... Ilusa...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

E lá fora?


Quando eu era pequenina, trovejava muito mais. O barulho era intenso, a luz ainda mais. A claridade tornava uma noite tempestuosa em dia. Nunca tive medo.... Mas agora quase não troveja... A Natureza está aqui mais silenciosa... Ou será que estamos tão concentrados nos zumbidos das rotinas que não a ouvimos a falar? Aqui já não oiço os pássaros... Não vejo verde... Será que não olho pela janela, ou é o olhar que não sái deste rectangulo de luz que está à minha frente? Esta coisa preta chamada computador não me larga.... "Deixa-me" - eu digo-lhe... Mas há sempre mais... Há sempre qualquer coisa... E eu tenho de sair... Procurar os pássaros e o verde, respirar...
O agora é tão rápido quando não pensamos nele... Somos autómatos, maquinismos, imitadores mecânicos... Formiguinhas da grande colónia...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vamos pendurar as mágoas?

Está sol, vamos pendurar as mágoas!
Bem presas com estas molas e com este sol, vais ver que elas desvanecem num instante!
Anda! Pendura as tuas aqui ao pé das minhas, pendura as nossas comigo!
Vamos deixá-las a secar ao sol! Assim evaporam e transformam-se, vais ver!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Na casa da Su







Na casa da Su somos todos bem recebidos.
Na casa da Su existem 3 andares debaixo de terra com cerveja.
Na casa da Su o gato come marisco.